Es criatura de traços tão harmoniosamente orquestrados que fariam corar de inveja as estátuas do Paracleto, és a epítome da simetria ideal — não geométrica, mas metafísica — como se o pincel de Apeles, guiado por um capricho divino, houvesse se aventurado pelas curvas do tempo até repousar no instante exato em que tua imagem se plasmou.
Teu semblante, translúcido como o véu de um sonho olvidado, é feito da mesma matéria efêmera dos crepúsculos outonais — onde o dourado da tarde se dissolve na púrpura melancolia do entardecer. Cada traço teu parece ter sido escolhido com o mesmo esmero com que um lexicógrafo seleciona a palavra rara e perfeita, aquela que, por sua obscuridade, encanta e desarma.