quarta-feira, 13 de maio de 2026

Crisálidas de um Sonho em Fuga

 Em uma dessas noites fosforescentes, quando a consciência desliza entre as frestas da realidade como uma mariposa noturna, você manifestou-se em minha elaborada fantasia onírica. A precisão quase científica com que posso catalogar cada detalhe daquele encontro é desconcertante: seus dedos, delicados como pétalas de jasmim noturno, tocaram minha face com a familiaridade de mil auroras passadas.

Seu sorriso - ah, que peculiar fenômeno! - irradiava uma luminescência que nem mesmo Rembrandt, em seus mais inspirados momentos, conseguiria capturar em sua paleta terrena. A geometria perfeita de sua alegria desenhava arabescos no ar rarefeito do meu subconsciente, enquanto suas palavras de encorajamento dançavam como libélulas sobre um lago de memórias cristalinas.

Como um lepidopterista que persegue uma rara espécie de borboleta, tento preservar cada fragmento deste encontro etéreo. Sua presença, mesmo que tecida nos fios delicados do sonho, possui uma substância mais real que a própria realidade tangível que me cerca no despertar. Suas palavras de encorajamento - "fique bem" - ressoam com a mesma cadência hipnótica de um poema em língua antiga, descoberto em uma biblioteca empoeirada de São Petersburgo.

E agora, enquanto reconstituo minha existência como um mosaico bizantino, peça por peça, encontro em sua alegria espectral a força motriz para minha própria metamorfose. Sua felicidade, mesmo que captada em um momento fugaz de consciência subliminar, serve como um farol incandescente, guiando-me através dos labirintos da superação.

Prometo-lhe, minha querida aparição, que sua confiança em mim não será traída. Como um escritor que reconstrói mundos inteiros com apenas vinte e seis letras do alfabeto, reconstruirei minha realidade com a mesma precisão meticulosa com que você construiu seu sorriso em meus sonhos.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Desajeitada cartinha de Amor

A vida revela certas surpresas que tanto podem ser boas quanto podem ser más. Se posso te dizer com a máxima certeza de meu entender, é que você foi a mais bela surpresa que já me ocorreu, por isso, por você, não há Amor maior que o meu.

Não me imagino sem você na minha vida.

Se você não existisse nesse mundo, o mesmo não teria sentido para mim, seria pobre, incolor, insípido e inodoro, pois seria desprovido da riqueza que você me traz, de me tornar uma pessoa cada vez mais feliz, cada vez melhor.

Você é o alimento da minha vida, doce e revigorante, viciado em seus lábios com essência de hortelã viciado em seu sexo com gosto de mel.  Quero você para ser minha amiga mais íntima, minha companheira e minha confidente. Não te vejo há poucas horas, mas estou seco de saudades de você, minha doce e definitiva paixão. Quero sempre estar com você para fazê-la minha prisioneira em meus braços.

Você com seu jeitinho de ser, me faz ver belezas que antes eu era incapaz de observar. Não é a toa que eu te amo. Não é a toa que cada pensamento meu, cada desejo meu, são para você, mesmo quando durmo, ou quando estou acordado, mesmo estando perto ou distante de você.

Receba de mim o meu mais sincero beijo, carinhoso e amoroso por é todo que você mais merece dessa vida. E, mais uma vez, tenha a certeza de que estou sempre com você, pro que der e vier, me chame e voando virei ao teu socorro.

PS: Se tenho algo a te pedir é que você esqueça os medos e as previsões pessimistas, se entregue ao amor de corpo e alma.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Um breve relato

Quando via-te passar por mim entre a aurora e o entardecer, apenas no simples gesto de trocar olhares com você acabou revelando em mim um grande desejo de sentir o seu doce perfume. Porem, eu tinha de fazer o papel de um amante que ali se calava para esperar por um momento certo para te conhecer. E é incrível que depois que isso aconteceu, acabei descobrindo muitos sentimentos bons e muitas sensações que não acreditava ser capaz de sentir. Como quando nos abraçamos e sinto nossos corpos balançarem como pêndulos harmoniosos dançando num compasso sutil, porem, de coreografia perfeita! 

Quero encerrar esta missiva dizendo que quando sussurro em seus ouvidos que “Te Adoro!”, na verdade quero dizer que “Te Amo!”. Porque dentro de mim desejo que aquele momento se eternize num só instante, numa só alma e em um só coração.


sábado, 27 de setembro de 2025

Só Mais um Dia no Inferno Social

Detesto ser forçado a fazer qualquer coisa que me tire do meu curso, especialmente quando envolve lugares onde nem a alma se atreve a sorrir. Estar cercado por gente que eu mal suporto, ouvindo suas banalidades disfarçadas de conversa, me dá náuseas. E não é só isso: o cheiro de cerveja barata misturada com hálito azedo ataca minhas narinas enquanto eles divagam sobre coisas que me fazem questionar se o cérebro deles não se encontra em estado avançado de putrefação.

Tudo isso para cumprir um contrato social que eu nunca assinei, mas que parece ter me prendido com correntes invisíveis. Uma tortura voluntária por cortesia do maldito "é o que se espera de você". Pois é, eu devo ser um grande adepto da desobediência do meu próprio querer.

sábado, 12 de julho de 2025

Tratado Sobre a Incandescência de Um Ser Que Não Pede Permissão ao Sol Para Brilhar

Es criatura de traços tão harmoniosamente orquestrados que fariam corar de inveja as estátuas do Paracleto, és a epítome da simetria ideal — não geométrica, mas metafísica — como se o pincel de Apeles, guiado por um capricho divino, houvesse se aventurado pelas curvas do tempo até repousar no instante exato em que tua imagem se plasmou.

Teu semblante, translúcido como o véu de um sonho olvidado, é feito da mesma matéria efêmera dos crepúsculos outonais — onde o dourado da tarde se dissolve na púrpura melancolia do entardecer. Cada traço teu parece ter sido escolhido com o mesmo esmero com que um lexicógrafo seleciona a palavra rara e perfeita, aquela que, por sua obscuridade, encanta e desarma.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Como era o rosto da minha mãe?

As memórias mais antigas têm a consistência de névoa matinal - difusas, mas curiosamente persistentes, como impressões digitais em um vidro embaçado. Cientistas dizem que nossas primeiras lembranças começam a se formar por volta dos três anos, quando o hipocampo finalmente amadurece o suficiente para tecer os fios dourados da memória. Mas como confiar em recordações tão antigas, tão delicadas quanto teias de aranha ao vento?

Como era o rosto da minha mãe?

Essa pergunta me persegue como um fantasma gentil, sussurrando pelos corredores do tempo. Tinha uma foto dela, única âncora física de sua existência em minha vida - um vestido colorido dançando contra o cenário de uma praça ou ponte, não posso precisar. Mas até isso me foi roubado pelas mãos do ciúme, rasgado em pedaços pela mulher que veio depois, como se destruir papel pudesse apagar a existência de alguém que veio antes.

Na casa de madeira onde vivíamos em 1983, as lembranças se cristalizam em detalhes curiosamente específicos: o ranger característico do piso de madeira sob nossos pés, a textura áspera das paredes, o sofá de veludo gasto pelo tempo - testemunhas silenciosas de uma época que parece cada vez mais distante. A pequena TV, cujo modelo se perdeu na névoa do esquecimento, piscava sua luz azulada em uma estante modesta, onde bibelôs típicos dos anos 80 montavam guarda sobre nossas vidas cotidianas.

Meu pai, fonte primária desta investigação sobre o passado, sempre a descreveu com uma mulher alta, com longos cabelos escuros - traços típicos da beleza gaúcha que corria em suas veias. Mas quanto dessa descrição é memória real e quanto é construção posterior de uma mente cheia de perpétua saudades? As pistas se embaralham como um quebra-cabeça complexo.

Examino minhas próprias recordações como um detetive obstinado: há um perfume específico que às vezes encontro nas ruas e me transporta instantaneamente para aquela casa de madeira. Seria seu perfume? Os registros do hospital onde ela se internou mencionam uma enfermeira de "sorriso cativante" - outra peça do quebra-cabeça. Nos encontros com os mais velhos comentam sobre seu sorriso resplandecente, que dizem eu ter herdado. São fragmentos de evidência que vou colecionando meticulosamente.

Mas é nas manhãs nebulosas, quando a consciência ainda flutua entre o sono e a vigília, que seu rosto aparece com mais clareza - um fenômeno que os psicólogos chamam de "memória hipnopômpica". É nesse estado límbico que posso quase tocar a suavidade de sua pele, ver o brilho de seus olhos, sentir o calor de seu abraço. São momentos fugazes, como bolhas de sabão que estouram ao toque, mas carregam uma verdade emocional mais profunda e mais cheia de amor que qualquer fotografia poderia capturar.

As lembranças de uma criança de três anos são como diamantes brutos - precisam ser lapidadas pelo tempo e pela compreensão adulta. Cada novo detalhe trazido a tona, cada história contada por amigos distantes, cada sonho vívido adiciona uma nova faceta a esse retrato em constante construção. E talvez seja essa própria busca, essa investigação interminável, que mantenha sua memória viva, pulsando como uma estrela distante que, mesmo morta há anos-luz, ainda nos envia sua luz.


sábado, 14 de junho de 2025

O silêncio matutino na velha escola

O sol da manhã penetrava pelas janelas empoeiradas, projetando sombras alongadas através das carteiras vazias - testemunhas silenciosas de tantas histórias. A luz do sol resvalava sobre as paredes amarelecidas, como dedos de um gigante cego, tateando texturas de tinta descascada e telhas encardidas. Ali estava ela: O velho “Sagrado”, a antiga escola que agora se dobrava sob o peso de sua idade avançada e de seu destino inevitável.