quarta-feira, 30 de outubro de 2024

O Dente Podre que eu QUASE não Arranquei

Lembro de uma vez meu velho me dizendo que, se não arrancássemos um siso podre da boca, ele poderia nos ferrar de verdade — tumores, cegueira, o diabo a quatro. Ri disso na época, mas a verdade é que o aviso ficou. Tenho um tio que se recusou a arrancar um desses malditos dentes, e o infeliz foi apodrecendo, se quebrando na gengiva até que, coincidência ou não, ele acabou cego de um olho. Mas hoje, não estou falando só de dentes. Estou aqui para contar a história de um "siso" que quase me arrastou para o inferno.


Quando o dente finalmente apareceu, é claro que as coisas só pioraram. Ficou cariado, o desgraçado, e a dor era tanta que comer ou dormir parecia um luxo distante. Ele ia apodrecendo aos poucos, se desfazendo, e com ele, minha paciência e a pouca sanidade que ainda me restava. A dor passou, como tudo passa. Não porque melhorou, mas porque me acostumei. A gente sempre se acostuma com a podridão, com o sofrimento, esperando que um dia ele simplesmente desapareça.
E qual é o resultado disso? Ah, é bem simples. Às vezes nos recusamos a extrair o que está podre, achando que a dor vai sumir por conta própria ou que o dente vai mudar, "desapodrecer". E ela até para de latejar com o tempo, mas o que você não percebe é que o veneno corre por dentro indo fundo na alma, tirando sua vondade de viver. O que antes era sangue se torna um fluxo de podridão lenta e mau cheiro, matando sua inspiração e sua alma, corroendo suas entranhas. Até que, um dia, não sobra nada além de cinzas de quem você costumava ser. E aí, o que você faz? Arranca logo a maldita coisa, ou fica convivendo com ela, esperando que apodreça tanto que caia sozinha?
E lembre-se: Isso não vale só pra dentes. 😉

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