quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

A Casa de Madeira - Jornada X

A velha casa de madeira ainda geme sob o peso do tempo,  

como se cada tábua guardasse um segredo esquecido,  

um eco das risadas de outrora, engolido pelo silêncio.  

Os móveis dos anos 80, desbotados, resistem ao esquecimento,  

como sentinelas cansadas em uma guerra perdida.


O sofá marrom, o tapete manchado,  

a TV que zumbia enquanto o tempo passava devagar.  

Tudo parece tão pequeno agora,  

tão distante, mas ao mesmo tempo, perto demais.


O cheiro de madeira antiga e café frio ainda paira no ar,  

me envolvendo como um cobertor que já não aquece.  

Era um tempo em que o mundo parecia maior,  

mas a casa, essa pequena fortaleza,  

era o único lugar onde as sombras não me seguiam.


E, no entanto, aqui estou,  

de volta a essa relíquia de dias mais simples,  

onde cada móvel é um fantasma de uma lembrança que tento esquecer,  

mas que me persegue como um cigarro aceso em meus sonhos.


Se pudesse, queimaria essa casa e tudo o que ela representa,  

mas talvez, apenas talvez,  

o fogo não apagaria o que foi gravado em minha alma,  

nem as marcas deixadas pelo tempo e pela saudade.

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