quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Uma Carta ao Meu Amor Mais que Imperfeito

O mundo é um daqueles lugares imprevisíveis, sabe? A gente nunca sabe o que vai encontrar na próxima esquina, e, vou te dizer, você foi a única surpresa que me desarmou por completo. Nunca achei que existisse alguém que pudesse me fazer ver o mundo em cores que até então eu ignorava. E agora? Você está aí, o centro de tudo, e parece que nada faz sentido sem sua presença.

Não tem jeito de te descrever sem soar sentimental, então lá vai: você me completa, literalmente. Você é o toque que faltava, o gosto inesperado, o desejo que sempre me puxa pra você, num vício daqueles que nunca se esgotam. E, sim, o mundo fica meio vazio, insosso, quando não está por perto. É como se a vida, por mais estranha que seja, se equilibrasse um pouco mais com você por aqui.

Quero você de todos os jeitos, a cada detalhe, até nos contrastes — como minha cúmplice, minha parceira de vida e aquela que sabe exatamente como me desmontar e me reconstruir de novo. Eu não preciso nem te ver por horas para já estar morrendo de saudade. É estranho, mas cada segundo longe é uma eternidade de ansiedade para te ter de volta.

Se algum dia o medo ou o receio tentarem atrapalhar, não dê ouvidos. Esqueça as preocupações e as previsões pessimistas. Deixe que seja a gente, que o mundo espere. Eu sou seu e, no que der e vier, estou pronto para estar aí para você, sempre."

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Uma Missiva de um Amante Peculiar

Olha, você deve ter achado que, entre todos os dias de rotina miserável, nenhum olhar furtivo me pegaria desprevenido. Mas o destino, cínico como só ele sabe ser, resolveu te jogar bem no meio do caminho. Entre um trago de café e uma batida apressada no relógio, cruzamos os olhos. Aquela troca rápida revelou algo que eu não me permitia sentir há muito tempo — o tipo de coisa que faz a gente ansiar por mais um olhar, pelo som da voz ou até mesmo pelo seu perfume, tão doce que me deixou parado, meio que sem fôlego. Não que eu fosse admitir logo de cara; um caçador sempre espera pelo momento certo para acertar o alvo, não é?

Foi aí que o tempo se arrastou até que as coisas acontecessem e — quem diria — eu, que pensava que tinha o coração blindado, descobri que ainda restavam algumas rachaduras. O tipo de sensação que você acha que morreu junto com a juventude, a vida ‘normal’. Mas não; bastou um abraço, e era como se nós dois fôssemos dois pêndulos, em perfeita harmonia, balançando ao som de alguma melodia perdida.

Agora, quando chego perto e sussurro um “Te adoro”, tem muito mais ali do que qualquer palavra daria conta. O que eu realmente queria dizer é que eu poderia facilmente viver todos os dias com isso, nesse minuto congelado onde nada mais importa. Então, sim, é amor, mas não vá espalhar por aí. Isso aqui é só entre nós e um bocado de poeira no ar.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

O Último Minuto - (Histórias Negadas)

Em minha mente, o inferno nunca teve fogo. Tem grades. Invisíveis, mas tão reais quanto as cicatrizes que carrego. A jaula está lá, sempre esteve. Feita de tudo o que eu já perdi, e de tudo o que sei que nunca terei. Você se acostuma com Culpa? Humpf, é como aquele velho parente inconveniente e vagabundo que sempre aparece sem ser chamado, te dá aquele abraço apertado, hipócrita, e parece demora uma eternidade para ir embora. E no fim, você percebe que ela nunca vai embora de verdade.

Hoje, mais do que nunca, sinto as correntes apertando. Esse peso que a gente carrega – o tal do julgamento final – é quase tangível. Quer dizer, você passa a vida inteira fingindo que não vai chegar, mas ele tá ali. Sorrateiro. E o mais cruel disso tudo? Não importa o que você fez, faz ou fará. No fim das contas, santos e pecadores têm o mesmo destino: o solitário chão frio e escuro debaixo da terra, em volto a um paletó de madeira barato que os parentes compram como um derradeiro presente. Ah, mas você tenta. Tenta se importar. Tenta acreditar que há alguma saída desse pesadelo. Mas quem eu quero enganar?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Ginóide - (Texto Confuso - TSC)

A escuridão não era um simples véu; ela se movia, pulsava em tons que escapavam à compreensão comum. Do negrume, um vulto se aproximava, cada passo reverberando como um estalo abafado no chão. Seus movimentos desajeitados tinham um ritmo metódico, quase robótico, enquanto o exoesqueleto eletrónico sussurrava seus mecanismos em tons metálicos, emitindo faíscas de eletricidade que perfuravam o ar com um odor de ozônio. O vulto era corpulento, sua carne se estendendo sob o metal como um fardo cansado, e sua face — ah, aquela face! — era um mosaico de cores conflitantes. Cada poro, cada rugosidade, parecia desenhar um mapa de sua degradação. Os olhos, de um castanho claro, tinham um brilho tênue, como um reflexo de uma fogueira distante prestes a apagar.