quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Uma Missiva de um Amante Peculiar

Olha, você deve ter achado que, entre todos os dias de rotina miserável, nenhum olhar furtivo me pegaria desprevenido. Mas o destino, cínico como só ele sabe ser, resolveu te jogar bem no meio do caminho. Entre um trago de café e uma batida apressada no relógio, cruzamos os olhos. Aquela troca rápida revelou algo que eu não me permitia sentir há muito tempo — o tipo de coisa que faz a gente ansiar por mais um olhar, pelo som da voz ou até mesmo pelo seu perfume, tão doce que me deixou parado, meio que sem fôlego. Não que eu fosse admitir logo de cara; um caçador sempre espera pelo momento certo para acertar o alvo, não é?

Foi aí que o tempo se arrastou até que as coisas acontecessem e — quem diria — eu, que pensava que tinha o coração blindado, descobri que ainda restavam algumas rachaduras. O tipo de sensação que você acha que morreu junto com a juventude, a vida ‘normal’. Mas não; bastou um abraço, e era como se nós dois fôssemos dois pêndulos, em perfeita harmonia, balançando ao som de alguma melodia perdida.

Agora, quando chego perto e sussurro um “Te adoro”, tem muito mais ali do que qualquer palavra daria conta. O que eu realmente queria dizer é que eu poderia facilmente viver todos os dias com isso, nesse minuto congelado onde nada mais importa. Então, sim, é amor, mas não vá espalhar por aí. Isso aqui é só entre nós e um bocado de poeira no ar.

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