Belém, a cidade dos arcos de chuva e do sol moroso, revela-se em um instante cristalizado no final da década de 1940 ou nos primeiros compassos dos anos 1950: um kiosque, delicado em sua estrutura, repousa como um ornamento entre o palpitar das ruas, tendo ao fundo o edifício Importadora ainda em gestação, suas linhas ascendentes um prenúncio do futuro.
Mas o tempo, esse escultor impiedoso, avançou até 1966, o ano em que Belém celebrou seus 350 anos com solenidade e melancolia disfarçadas. O kiosque, testemunha silenciosa de tantas manhãs e conversas furtivas, foi desmantelado, sacrificando sua existência para ceder lugar à Praça Mauá. Ali, um novo protagonista ergueu-se: o monumento dedicado a Pedro Teixeira, circunscrito pelo espaço como um marco de pedra e história, guardião da memória e da mudança.
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