Em Belém, no distante 1951, um mapa olfativo e visual traçava as mercearias de renome, santuários de abundância onde o tempo parecia curvar-se à minúcia do cotidiano. Havia a Casa Camarinha, um relicário de produtos finos repousando na rua da Indústria; a Casa Carioca, que resplandecia no Largo das Mercês; a Casa Carvalhaes, como um segredo murmurado na rua Santo Antônio; a Casa Corcovado, firmada na esquina geométrica da avenida Portugal com João Alfredo; e, por fim, as memórias gêmeas da Casa Portugal e do Vesúvio, que dominavam a majestosa avenida 15 de Agosto, hoje chamada Presidente Vargas.
Mas todas elas, como castelos de areia sob a investida das ondas, desapareceram. A modernidade apagou seus traços com a precisão fria de um apagador, varrendo também os armazéns da 15 de Novembro, que jazem agora como ecos tênues, flutuando no ar pesado da memória coletiva.

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