...o mundo silencia,
quarta-feira, 30 de abril de 2025
Diante de ti...
sábado, 26 de abril de 2025
Sombras que Restam - (Histórias Negadas)
Eu sempre soube que o mundo era injusto. Não é exatamente uma epifania, certo? Mas, para alguns de nós, essa injustiça tem um gosto mais amargo, como um veneno que a gente é forçado a engolir bem devagar, gota por gota. Quando eu era moleque, não podia deixar de notar como as mães dos outros eram sempre... melhores. O jeito que elas cuidavam, se preocupavam, se certificavam de que tudo estava bem. As mães dos meus amigos pareciam rainhas, com braços que protegiam o seu mundo – Seus filhos. Já a minha, bem, ela se foi cedo demais. E, depois disso, sempre que eu via aquela cena — uma mãe abraçando o filho ou rindo de alguma bobagem que ele disse — uma parte de mim queimava por dentro.
Não é inveja, pelo menos não do tipo que faz você desejar mal aos outros. É mais como um buraco. Um vazio que você tenta preencher com qualquer porcaria que achar pelo caminho, mas que nunca se fecha. E quando você cresce sem isso, você aprende rápido que o mundo não está interessado em preencher buracos, só em cavar outros mais.
O velho? Ah, ele fazia o que podia, eu acho. Não era o pior pai, mas também nunca ganhou o troféu de "melhor do ano", se é que você me entende. O cara estava sempre lá, só que ao mesmo tempo... não estava. Faltava alguma coisa. Talvez ele só não soubesse o que fazer com um garoto que tinha mais perguntas do que ele podia responder. Eu o amava, claro que amava, mas isso não significava que a gente se entendia. Aliás, demorou pra isso acontecer. Só quando eu já estava crescido o suficiente para entender as pancadas da vida que a gente começou a se conectar. Irônico, né? Só quando você começa a ser lascado pelo mundo é que entende por que seu pai era do jeito que era. Quando ele morreu, foi estranho. Eu senti a falta dele, mas também percebi que a gente nunca teve, de verdade, um tempo de qualidade. Tínhamos só... o tempo.
E aí tem os amigos. Ou o que sobrou deles, pelo menos. Porque, veja bem, o mundo tem essa habilidade suja de te arrancar tudo que você ama. Um a um, os poucos que importavam começaram a desaparecer, levados por algum mal global ou por desgraças cotidianas que não faziam sentido. Fosse uma doença, um acidente, ou até a estupidez humana em sua forma mais pura, mais “primal”. Não importa o motivo, o resultado é o mesmo: um por um, eles caíram. E cada um que partia levava um pedaço meu junto. A solidão vai crescendo, sabe? Se enraizando, te cercando, até que você se pega olhando ao redor e se perguntando como diabos você chegou até aqui, sozinho.
É engraçado, eu sempre fui de ser sentimental, emotivo, na verdade. Mas, quando você perde o suficiente, começa a se perguntar o que sobra de você. E é isso que eu sou agora: o que sobrou. Eu me sinto num campo de batalha depois da guerra, cercado de cadáveres que, um dia, foram importantes. E o pior de tudo? As pessoas ao redor. Elas ainda estão vivas, mas são como ruído branco, me tirando a paz. Cada conversa fútil, cada problema pequeno que é inflado como se fosse o fim do mundo... Eles não entendem. Nunca vão entender.
A perda, a verdadeira perda, não é algo que se supera. É algo que você carrega, como um peso que nunca vai embora, você apenas se acostuma com ela. E as pessoas que ainda estão ao meu redor? Elas têm suas próprias cruzes, mas, honestamente, muitas vezes parece que estão aqui só pra me lembrar de como o mundo consegue ser inconveniente. Eu sou cortês o suficiente, talvez até pareça simpático de vez em quando, mas a verdade é que eu ando cansado. Cansado de segurar o mundo dos outros enquanto o meu se desintegra aos poucos.
Então, aqui estou, num estado constante de lamentação. Um espectador solitário num teatro cheio de almas que nunca vão entender o que é estar verdadeiramente sozinho, mesmo cercado de gente. E, talvez, no fundo, eu tenha aceitado que essa é a única constante: a perda. Ela nunca vai embora, só vai mudando de forma, e cabe a mim decidir como continuar carregando esse peso. Como seguir lutando numa guerra que nunca, realmente, termina.
quarta-feira, 23 de abril de 2025
Silhueta secreta
Sob a luz tênue, tua silhueta desenha segredos,
Um mistério que chama, que queima meus desejos.
Tua pele, um campo de seda, convida ao toque,
Um universo de sensações, onde o tempo não corre.
Os contornos do teu corpo, sinfonia em movimento,
Ritmados pela dança de um sutil sentimento.
Teu aroma é um verso que embriaga o ar que eu realmente respiro,
Uma promessa que me faz sonhar.
E quando teus lábios encontram o silêncio,
O mundo ao redor perde o sentido imenso.
És a harmonia entre o real e o sonho,
A chama que acende meu íntimo risonho.
Desejo-te não apenas pelo que és à vista,
Mas pelo enigma que tua presença conquista.
És poesia viva, minha total inspiração, o ápice do querer,
Um desejo que floresce no prazer de querer te conhecer.
quarta-feira, 16 de abril de 2025
Escarlate em Movimento
Há um vermelho que não é apenas cor,
mas um grito do coração ao pulsar;
o reflexo do fogo que dança,
do aço moldado na força do corpo.
Na geometria perfeita dos teus traços,
há um eco de constelações antigas,
um mapa de delicadeza e de sonhos,
onde cada curva é a promessa
de um amanhã tão belo quando se pode conceber.
O espelho, cúmplice do instante,
guarda o brilho que não se contém;
é o reflexo de uma alma
que, ao erguer-se, desafia o mundo.
Entre pesos e suor, a poesia do esforço,
o desabrochar de uma rosa rubra
no jardim das adversidades.
E ao vê-la, meu coração vagabundo
não consegue resistir
quarta-feira, 9 de abril de 2025
Viciante visão
Ah, doce visão, que em mortal semblante traz o fulgor das estrelas celestiais! Meus olhos se detém para admirar tua forma, vejo a própria essência da primavera, encarnada em curvas tão graciosas que fariam Apolo deter sua carruagem nos céus apenas para te olhar.
E teus olhos? Ai de mim! são janelas para um universo onde o amor reina sem limites como nos jardins do Eden. Cada gesto teu, ainda que breve, é uma dança de harpas ao vento, uma poesia muda que fala ao coração sem proferir palavra.
Ó, musa que pisa o chão como se ele fosse abençoado por teus passos, tua graça é um feitiço que não sei como quebrar. Que bardo pode, em sua pena humilde, traduzir o esplendor que a natureza em ti cifrou? És a aurora em carne, o suspiro das flores ao romper da manhã.
Se este mundo, tão repleto de sombras, ainda pode ostentar tal beleza, então há esperança de que os céus nos olhem com misericórdia. E eu, mísero amante à distância, preso entre o desejo de tocar-te e o temor de ser indigno, hei de render-me aos versos, pois somente em palavras e pensamentos posso possuir-te.
quarta-feira, 2 de abril de 2025
O Reflexo da Perfeição
Nos confins de uma sala envidraçada, onde os reflexos dançam entre vigas e suores, ela surge – um poema esculpido em carne e espírito. Seus cabelos ondulantes como um mar agitado feito do mais puro ouro, deslizam em cascatas até as margens de um corpo onde a primavera fez morada. A luz, essa cúmplice do desejo, brinca acariciando seus contornos me despertando uma inveja ilógica, tocando o lilás tênue de sua pele com a ousadia de um amante eterno.
Seu sorriso, meio escondido pelo tempo de um instante, é uma janela para o éter de mil madrugadas sonhadas e degustadas. Cada passo dela é uma vírgula no parágrafo eterno da beleza, cada gesto, uma palavra sussurrada para corações esquecidos do verbo amar. No fundo daquele templo de aço e movimento, ela é o altar e o motivo, a musa e o mistério.
Que cruel é o destino de quem a contempla: preso entre a ânsia de aproximar-se e o medo de quebrar o feitiço de sua perfeição efêmera. Você é Aurora e crepúsculo, um cintilar breve, mas eterno – a promessa de que, por um momento, o mundo é tão belo quanto deve ser.