Ah, doce visão, que em mortal semblante traz o fulgor das estrelas celestiais! Meus olhos se detém para admirar tua forma, vejo a própria essência da primavera, encarnada em curvas tão graciosas que fariam Apolo deter sua carruagem nos céus apenas para te olhar.
E teus olhos? Ai de mim! são janelas para um universo onde o amor reina sem limites como nos jardins do Eden. Cada gesto teu, ainda que breve, é uma dança de harpas ao vento, uma poesia muda que fala ao coração sem proferir palavra.
Ó, musa que pisa o chão como se ele fosse abençoado por teus passos, tua graça é um feitiço que não sei como quebrar. Que bardo pode, em sua pena humilde, traduzir o esplendor que a natureza em ti cifrou? És a aurora em carne, o suspiro das flores ao romper da manhã.
Se este mundo, tão repleto de sombras, ainda pode ostentar tal beleza, então há esperança de que os céus nos olhem com misericórdia. E eu, mísero amante à distância, preso entre o desejo de tocar-te e o temor de ser indigno, hei de render-me aos versos, pois somente em palavras e pensamentos posso possuir-te.
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