Nos confins de uma sala envidraçada, onde os reflexos dançam entre vigas e suores, ela surge – um poema esculpido em carne e espírito. Seus cabelos ondulantes como um mar agitado feito do mais puro ouro, deslizam em cascatas até as margens de um corpo onde a primavera fez morada. A luz, essa cúmplice do desejo, brinca acariciando seus contornos me despertando uma inveja ilógica, tocando o lilás tênue de sua pele com a ousadia de um amante eterno.
Seu sorriso, meio escondido pelo tempo de um instante, é uma janela para o éter de mil madrugadas sonhadas e degustadas. Cada passo dela é uma vírgula no parágrafo eterno da beleza, cada gesto, uma palavra sussurrada para corações esquecidos do verbo amar. No fundo daquele templo de aço e movimento, ela é o altar e o motivo, a musa e o mistério.
Que cruel é o destino de quem a contempla: preso entre a ânsia de aproximar-se e o medo de quebrar o feitiço de sua perfeição efêmera. Você é Aurora e crepúsculo, um cintilar breve, mas eterno – a promessa de que, por um momento, o mundo é tão belo quanto deve ser.
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